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Yoga, Poesia, Formação, cursos, reflexões

O sentido de Dharma não é seguir a regra

por Tales Nunes

"Fazer o que deve ser feito", é uma das afirmações que escutamos sobre o Dharma. Mas que vozes devemos escutar para cumprir o que precisa ser feito? As vozes externas? As vozes ou uma voz interna?

Se apenas seguimos as vozes externas, nos prendemos no sentido da regra e a disciplina, no Yoga, se torna rigidez impositiva. O sentido profundo de Dharma não é o de cumprimento de regras. Às vezes é exatamente o contrário, quando a regra é oposta à ética, precisamos superá-la.

Então, será que existe uma voz interna que sabe previamente o que deve ser feito? Não, não existe. Porque a ética não se põe previamente à situação. A ética se dá no encontro. O ser que sou tocado e tocando o ser do outro. O ilimitado em nós diante do ilimitado no outro, vendo-se nos contornos do que está posto.  Não é uma voz onisciente que me diz o que precisa ser feito, é a magia que acontece na presença.

Para mim, o sentido de Dharma é o sentido do amor. O infinito se realizando dentro dos contornos, encontrando caminhos de expressão, de realização, de vida. A força de uma substância, criando, o melhor, brincando nas linhas da vida.

Dharma não é criar uma disciplina para seguir regras. Dharma é a força do amor em expressão.

Como disse a escritora portuguesa, Maria Teresa Horta:

Não pretendo mais do que o limite, 

que para além do limite já se entrega.

Eu cumpro os meus limites,

não cumprindo as regras.

(Maria Teresa Horta)

Tales Nunes, Florianópolis, agosto de 2026.

*Artigo do meu próximo livro sobre Yoganidrá.

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