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Yoga, Poesia, Formação, cursos, reflexões

As palavras apontam

por Tales Nunes

Após anos de estudos das escrituras, o Professor discursava de maneira eloquente sobre o que é Brahman, sobre a Realidade do Ser. Suas belas palavras inspiravam diversos alunos. Porém o Professor sabia que faltava algo ainda as ser compreendido. Havia eloquência em sua mente e em suas palavras, porém em seu coração, faltava ainda tranquilidade e a verdadeira compreensão. Brahman era algo ainda distante para ele, uma verdade a ser alcançada, no futuro, talvez mesmo noutra vida. Quanto mais discursava, mais ansioso ficava seu coração. Sentia suas palavras vazias, elas apontavam para longe e não para si mesmo. Decidiu, portanto, procurar um mestre, revelar a sua inquietação e buscar uma explicação que o aquietasse.


Professor: Mestre, o meu discurso é claro, sei o que contém todas as escrituras, as Upanishads estão gravadas em minha mente. Porém, meu coração parece não ter assimilado este Conhecimento que fala sobre o Ser. Esse Ser parece algo ainda a ser alcançado por mim. Mostre-me o que é o Ser.

Mestre: Entendo, faça japa (repetição de mantras). Depois retorne.

Professor: Mestre, mas eu quero que me mostre.

Mestre: Vá e retorne.

Após alguns dias o Professor, agora discípulo retorna:

Discípulo: Fiz o que me mandou.

Mestre: Então, enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Sou o corpo que dói, as emoções que oscilam, os pensamentos de distração.

Mestre: Faça japa.

Após dias, ansioso por contar a sua experiência, o discípulo senta aos pés do mestre e escuta a pergunta.

Mestre: Enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Sou o mantra, nada mais.

Mestre: Faça japa.

Após dias, retorna novamente, ansioso pela pergunta do mestre e certo de que esta seria a resposta que o agradaria.

Mestre: E agora enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Sou o silêncio entre um mantra e outro.

Mestre: Faça japa.

Após dias retorna, olha nos olhos do mestre e aguarda a pergunta.

Mestre: E agora enquanto faz os mantras, quem é você?

Discípulo: Eu Sou, apenas.

Mestre: Este eu Sou que é você, este é Brahnan, a realidade última do mundo, que empresta realidade a tudo o mais. Que empresta realidade ao corpo que dói, as emoções que oscilam aos pensamentos de distração, ao mantra, ao silêncio. Este é o real Sujeito, que está sempre presente. Quem é você agora?

Discípulo: Eu Sou Brahman.

Aquelas palavras que sempre apontaram para fora, agora apontavam para si mesmo, revelavam o que sempre buscara e refletiam a si mesmo como um espelho. E assim, havendo compreendido todas as palavras que por anos ensinou, o Discípulo, agora com o coração tranquilo, reverenciou o Mestre e o ensinamento com enorme gratidão.

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